segunda-feira, 22 de abril de 2013

Comunicado | Festival de Música Ameaça Monsanto


COMUNICADO
FESTIVAL DE MÚSICA AMEAÇA MONSANTO

A associação Plantar Uma Árvore (P1A) teve conhecimento que a Câmara Municipal de Lisboa (CML), pretende realizar o festival da Semana Académica de Lisboa, a decorrer entre os dias 13 e 18 de Maio, estimado para 20.000 pessoas, no seio do Parque Florestal de Monsanto (PFM), mais concretamente na encosta do Alto da Ajuda, uma área integrada nos limites do PFM e que, ao longo dos últimos anos, tem sido alvo de plantações, quer autonomamente pelo PFM, quer em parceria com o P1A e outras entidades, que com os seus voluntários, cidadãos que em prol da promoção do PFM, exercem um ato de cidadania participativa voluntária.

Este atentado vai contra o próprio parecer dado pelo gabinete técnico florestal do PFM, que foi negativo, sem atender aos impactos ambientais resultantes e que podem ter consequência gravosas e danosas, bem como sem se equacionar a existência de infraestruturas alternativas no PFM, criadas para o efeito, como é caso do Anfiteatro Keil do Amaral.

O local em causa é um anfiteatro natural que se constitui como bacia hidrográfica, a maior do PFM, tendo no passado estado despojada de vegetação, originando aluimento de terras por erosão e cheias a jusante, para os bairros qua aí se encontram, pelo que a CML e o PFM promoveram a sua reflorestação, tendo a associação P1A, entre outras entidades, com os seus voluntários, participado na plantação de milhares de plantas no local.

A realização de tal evento iria resultar na destruição da vegetação e na compactação dos solos, diminuído drasticamente a capacidade de infiltração de água no solo e a sua acumulação no lençol freático, aumentando, por oposição, o escoamento superficial, que poderá ter graves consequências, com os escoamentos torrenciais e erosão dos solos, para o polo universitário, bairros a jusante e infraestruturas existentes, agravado pelo facto de os bairros, com elevada densidade populacional e com muito do edificado já em avançado estado de degradação pela sua antiguidade, se encontrarem a uma cota muito inferior, num vale muito encaixado, para além do efeito barreira e redução da capacidade de infiltração causado pelos edifícios e estradas e pavimentos do polo universitário.

A plantação de milhares de plantas e a recuperação de uma linha de água, com a incorporação de algumas pequenas charcas, permitiram ultrapassar estes problemas, tendo sido este inverno uma prova disto mesmo, equilibrando-se o ecossistema e enriquecendo-o do ponto de vista da biodiversidade, quer em termos de flora, como de fauna, pois, estamos em plena primavera e centenas de animais já estão a procriar e muitas árvores e arbustos em crescimento.

A estes factos acresce ainda o de haver diversos espaços na cidade criados para o efeito, inclusive no próprio PFM, designadamente o anfiteatro Keil do Amaral, que tem vindo a ser gradualmente abandonado e descurado.

Recentemente, a associação foi convidada a participar na inauguração do Corredor Verde de Monsanto e na recuperação do PFM e do Parque Silva Porto, por parte da CML, em especial por via do Sr. Presidente António Costa e do Sr. Vereador Sá Fernandes, que desde o início têm apoiado este movimento cívico, agora associação, pelo que estes atos contrastam gravemente, com este atentado.

A associação P1A não pode permitir que o trabalho que ali foi desenvolvido pelo técnicos e funcionários do PFM e de muitos cidadãos voluntários, em parceria com múltiplas associações e entidade privadas e públicas, seja agora destruído, para simplesmente acolher um evento de 4 dias, que pouco valor terá em tempo de crise e de escassez de recursos.

A Direção

Sem comentários:

Enviar um comentário