domingo, 9 de janeiro de 2011

O Homem e a Árvore


O homem plantou a árvore no seu jardim. Regou-a, podou-a, falou com ela dias a fio. Assisti escondida a muitos desses diálogos do homem com a pequena araucária. E a árvore foi crescendo. Cresceu até à altura do homem, cresceu mais alto do que o homem e mais alto do que o telhado da casa do homem. E o homem tinha um imenso orgulho na sua árvore. Quando foi obrigado a vender a sua casa, ele exigiu que mantivessem lá a árvore. E assim foi feito. Muitas tardes o vi, do outro lado da rua, a vir espreitar a sua árvore no jardim de um feio condomínio que construíram no lugar da casa. Porque continuava a ser a sua árvore, apesar de estar agora no jardim de outros. Ainda bem que as árvores nada sabem da vida dos homens. Senão, no dia em que o homem morresse, a árvore ia deixar-se secar. Porque no dia em que o homem morrer, a árvore já não vai ser a árvore de ninguém.
Cláudia Clemente

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